Toda a publicidade e marketing a que assistimos espelham a nossa realidade. Os anúncios dos carros pretendem atrair o público quer pela sua rapidez, quer pelo seu conforto. Os anúncios de crédito procuram cativar o cliente pela sua imediatez. Os anúncios de objectos para o lar tentam seduzir-nos pelo seu sentido prático. Os anúncios de detergentes, que costumavam dirigir-se às mulheres, agora dirigem-se também aos homens. Os anúncios dos telemóveis da 3ª geração incitam à compra, independentemente do facto dos telefones móveis terem sido criados com o intuito simplesmente de permitir fazer e receber chamadas de qualquer lugar, a qualquer hora. Os anúncios de cremes que retardam o envelhecimento prometendo às pessoas mais anos de juventude. E poderemos encontrar muitos mais exemplos, que retratam, sem dúvida, as necessidades das novas sociedades.
Para compreender o presente é necessário ter em conta diversos acontecimentos que contribuíram para que o mundo fosse tal como o conhecemos. E a Revolução Digital não é excepção. Não podemos perceber o que nos rodeia, sem perceber a ascensão de novos valores, como a velocidade, os ciclos curtos, o império do novo, a abundância e a diversidade, o prazer, a interactividade, a mobilidade, a desmaterialização, o pós-figurativismo e também a era do feminino. Tudo aquilo que está tão banalizado no nosso quotidiano é reflexo da implementação progressiva daqueles que são os valores máximos das sociedades contemporâneas.
Cada vez mais, damos maior importância à rapidez com que as nossas necessidades são satisfeitas. Vivemos numa era que não tem lugar para a espera, para o sofrimento e o sacrifício. É a era do já, do agora. A era do imediato. A velocidade passou a ser sinónimo de qualidade. Como resposta, os produtos têm um ciclo de vida cada vez mais curto. A durabilidade é substituída pelo efémero, pelo descartável, uma vez que a tendência assim o exige. Os consumidores recebem diversos estímulos, de diversas fontes. As "tentações" fazem com que a infidelidade seja a regra de consumo, pois o novo ganhou um maior poder de atracção.
Assim, tornou-se imprescindível tentar fidelizar o cliente. São cada vez mais as lojas/empresas que apostam em cartões de fidelização. Tudo é válido nesta "guerra" em que os vencedores são os que agem, os que procuram "antecipar as respostas às oportunidades emergentes".
Outro factor importante é o prazer. Este passou a ser uma exigência universal e constante. Os produtos mais apelativos são aqueles dos quais nós consumidores podemos retirar algum tipo de satisfação. Aqueles que nos proporcionam momentos de entretenimento, de divertimento, em suma, de puro prazer.
A interactividade é outro conceito que tem vindo a ganhar muita importância. Os jogos on-line, ou os concursos interactivos, são modas emergentes, porque são um incentivo à participação do indivíduo em tempo real, o que permite ao consumidor sentir o seu verdadeiro poder.
Com a ascensão das novas tecnologias, os conceitos de "tempo" e "espaço" ganharam uma outra dimensão. A Internet, por exemplo, veio esbater fronteiras, e oferecer uma maior mobilidade às populações. O fenónemo das comunicações móveis demonstra também esta realidade.
Hoje em dia, procura-se capacidade de adaptação e flexibilidade. A sabedoria já não é a preferência. E estas características encontram-se maioritariamente nos jovens. Estes têm também um outro "à vontade" para utilizar os meios digitais, o que, à partida, constitui uma mais-valia. No entanto, verifica-se um paradoxo, no sentido em que há uma "incompreensão das competências específicas da nova geração".
Quando observamos aquilo que se passa à nossa volta, é visível o grande valor que se foi atribuíndo à inteligência emocional, ao sentido prático, ou ao equilíbrio, que até há relativamente pouco tempo eram tidos como valores próprios apenas das mulheres. A diferenciação entre sexos é cada vez menor no que diz respeito aos níveis de educação, e a presença do sexo feminino em cargos de grande responsabilidade é cada vez mais notória.
Deste modo, parece estar nas nossas mãos dar bom uso aos recursos que temos ao nosso alcance para que este seja um mundo melhor. Devemos ser capazes de usar tudo o que temos ao nosso dispor o mais beneficamente possível.
Porque é que, se temos mais facilidade em comunicar, se temos meios que nos permitem suprir barreiras de tempo e de espaço, continuamos a viver sem tempo para as coisas que realmente interessam, continuamos a viver em stress? Não podemos permitir que a nossa vida seja comandada pela publicidade que nos conduz à crescente intenção de consumo desenfreado. Pelo comprar só por comprar.
Será que vivemos numa sociedade consumista, que se vai auto-destruíndo?
Eu quero acreditar que não... Mas, já agora, "vale a pena pensar nisto"!