conversas digitais

Wednesday, May 10, 2006

Processo de Bolonha

A Processo de Bolonha é um tratado que visa uniformizar o ensino universitário e politécnico dos países pertencentes à União Europeia, homogeneizando o sistema educativo superior europeu. Deste modo, conseguir-se-á esbater parcialmente diferenças de instrução existentes entre os mesmos.
Com este processo pretende-se tornar mais viável a mobilidade quer de profissionais, quer de alunos, facilitando as equivalências, entre outras coisas.
Através deste método, será possível obter uma maior procura por parte dos jovens, e dos empregadores, no estrangeiro, estimulando o mercado de trabalho, abrindo novas portas.
Na teoria, tudo isto soa muito bem. Na prática, poder-se-á verificar que não será exactamente este o resultado (pelo menos, no imediato).
Na verdade, este conjunto de princípios propostos pela Convenção de Bolonha poderá encontrar países que não estão aptos a recebê-lo, pois exige uma grande consistência em termos de organização que talvez não esteja ao nível de alguns profissionais e alunos de alguns países.
Além disso, outra das contrapartidas, poderá ser o facto de que, simultaneamente connosco, estarão indivíduos estrangeiros a concorrer aos mesmos postos de trabalho (o que poderá afectar directamente a competitividade, de forma negativa para os portugueses).
No que concerne ao caso particular do ensino nacional, penso que irá trazer confusão, aquando da sua implementação. As vantagens só se verificarão a longo prazo, uma vez que o sucesso deste processo depende essencialmente da restruturação de todo um sistema educativo, que requere algumas reformas. Há que preparar os estudantes desde o início do seu percurso escolar, habilitando-os para tal evolução. Só assim poderemos "colher os frutos" desta iniciativa, e só assim serão os objectivos cumpridos com êxito.
E, já agora, "vale a pena pensar nisto".

Thursday, May 04, 2006

A identidade na era Digital

"À medida que os seres humanos se confundem cada vez mais com a tecnologia e uns com os outros através da tecnologia, as velhas distinções entre o que é especificamente humano e o que é especificamente tecnológico tornam-se mais complexas. Estaremos a viver uma vida no ecrã ou dentro do ecrã?"
(Sherry Turkle, 1995)
Este pareceu-me um bom ponto de partida para o seminário a apresentar.
A forma como o Homem lida com a Internet, e com a sua privacidade na mesma, parece-me ser uma questão bastante interessante e oportuna.
Desde o início dos tempos, a comunicação foi adquirindo uma importância cada vez maior, ainda que não conscientemente, e o ser humano sempre teve essa necessidade (pois somos animais sociais).
Com o apogeu das denominadas "novas tecnologias", o indivíduo conheceu e aprendeu outras formas de se relacionar com o que o rodeia. Produziu novos símbolos para representar e exprimir aquilo que pensa e aquilo que sente, introduzindo padrões de linguagem originais, característicos somente do mundo da informática.
Assim, levanta-se a questão da diferença entre a comunicação cara-a-cara e a comunicação através de um computador. Esta última confere-nos, talvez, mais liberdade, mais à vontade, uma vez que estamos "protegidos" pelo anonimato.
Todavia, esta condição tem também contrapartidas (há sempre o reverso da moeda): se, por um lado, temos mais liberdade (privilégio esse que nos permite criar uma outra identidade), por outro lado, essa mesma liberdade pode dar origem a situações menos benéficas, ou até mesmo prejudiciais.
Ao inventarmos "personagens", com uma vida diferente da nossa, e que só existam online, corremos o risco de confundir realidade com ficção...
É sobre este assunto que pretendo debruçar a minha pesquisa, porque "vale a pena pensar nisto".

Friday, March 31, 2006

O inverso do que é suposto...? (Talvez não)

Hoje ouvi na rádio algo que me fez pensar...
Passo a citar: "As novas tecnologias em vez de nos aproximarem afastam-nos". Esta frase, no seu contexto, fez algum sentido, embora não concorde totalmente.
Na minha opinião, talvez a ideia-base desta afirmação seria a de que as novas tecnologias não nos aproximam tanto quanto desejaríamos.
Contudo, não podemos negar a sua utilidade, nem as facilidades que vieram propôr ao nosso dia-a-dia.
Os telemóveis e a internet vieram criar formas de comunicação diferentes, em alternativa às já institucionalizadas há muito, e com as quais estavamos todos bastante familiarizados.
No meu caso, em particular (e que penso ser comum a muitos outros), o uso destas ferramentas veio proporcionar um modo de firmar/manter contacto com as pessoas que me rodeiam quando a comunicação face-a-face não pode ser estabelecida. O que é, realmente, uma mais-valia! Por exemplo, durante a semana, com os horários que tenho a cumprir, e tudo o que estes envolvem, não consigo estar tantas vezes, ou tanto tempo, com as pessoas de quem gosto quanto gostaria. Tenho amigos que geograficamente estão longe, e, no entanto, sinto-me próxima. E é através das novas tecnologias que vou tendo notícias dessas pessoas, que vou conseguindo que estas relações resistam com êxito...
Aquilo que vos digo não é nada de novo, nem acrescenta nada em termos de informação. Mas esse também não era o meu propósito. Quis, simplesmente, partilhar.
Não podemos crer que estes "utensílios" substituem a presença humana. Todavia, não podemos também declarar que são a significação oposta da aproximação.
Acho que "vale a pena pensar nisto"!

Monday, March 27, 2006

Pode ser-se demasiado criativo?

Afinal, o que significa realmente ser criativo?... Foi ao pensar nisto que resolvi ir ver a definição ao dicionário:
"criativo - que tem capacidade para criar; que tem originalidade inventiva; criador."
Assim, deduzi, imediatamente, que nunca se é demasiado criativo. Aliás, esta parece-me uma dedução óbvia.
No entanto, os resultados dessa criatividade podem ser positivos, ou não. Podem trazer benefícios consigo, ou não.
Quando Bell inventou o telefone, talvez tenha havido quem achasse que ele estava a ser demasiado criativo. Quando Marconi pensou que seria possível comunicar através da Telegrafia Sem Fios (TSF), inventando a rádio, talvez tenha havido quem achasse que ele estava a ser demasiado criativo. E porderia continuar com os exemplos (mas o tempo não mo permite)!
O ser humano é por natureza um ser com capacidade de gerar, de produzir. Claro que não estamos constantemente a inovar. Claro que nem sempre temos novas ideias. E mesmo quando as temos, a grande maioria delas não são boas ideias.
A questão fulcral prende-se, então, com a utilidade que um novo objecto, um novo produto, pode ter. Se a criatividade não nos traz qualquer vantagem, a novidade cai no esquecimento. Não vinga.
Agora, se a inovação for bem sucedida, o impacto pode ser grande (e os lucros também). Mas é preciso saber quando e como investir...
Contudo, por vezes, não é propriamente a descoberta, nem os seus proveitos, que estão em causa. É necessário que o contexto seja o mais propício. Que a sociedade esteja pronta. Caso contrário, mesmo uma ideia genial pode resultar num perfeito desastre.
Assim, podemos verificar que o conceito de "criativo", aliado ao advérbio "demasiado", revela alguma complexidade (para não dizer mesmo bastante). É preciso estar atento aos riscos inerentes à descoberta... Mas também não podemos ser demasiado cautelosos, pondo em causa o crescimento e a própria evolução.
Já agora, "vale a pena pensar nisto"!

Monday, February 27, 2006

Mundo em Mudança

Toda a publicidade e marketing a que assistimos espelham a nossa realidade. Os anúncios dos carros pretendem atrair o público quer pela sua rapidez, quer pelo seu conforto. Os anúncios de crédito procuram cativar o cliente pela sua imediatez. Os anúncios de objectos para o lar tentam seduzir-nos pelo seu sentido prático. Os anúncios de detergentes, que costumavam dirigir-se às mulheres, agora dirigem-se também aos homens. Os anúncios dos telemóveis da 3ª geração incitam à compra, independentemente do facto dos telefones móveis terem sido criados com o intuito simplesmente de permitir fazer e receber chamadas de qualquer lugar, a qualquer hora. Os anúncios de cremes que retardam o envelhecimento prometendo às pessoas mais anos de juventude. E poderemos encontrar muitos mais exemplos, que retratam, sem dúvida, as necessidades das novas sociedades.

Para compreender o presente é necessário ter em conta diversos acontecimentos que contribuíram para que o mundo fosse tal como o conhecemos. E a Revolução Digital não é excepção. Não podemos perceber o que nos rodeia, sem perceber a ascensão de novos valores, como a velocidade, os ciclos curtos, o império do novo, a abundância e a diversidade, o prazer, a interactividade, a mobilidade, a desmaterialização, o pós-figurativismo e também a era do feminino. Tudo aquilo que está tão banalizado no nosso quotidiano é reflexo da implementação progressiva daqueles que são os valores máximos das sociedades contemporâneas.

Cada vez mais, damos maior importância à rapidez com que as nossas necessidades são satisfeitas. Vivemos numa era que não tem lugar para a espera, para o sofrimento e o sacrifício. É a era do já, do agora. A era do imediato. A velocidade passou a ser sinónimo de qualidade.
Como resposta, os produtos têm um ciclo de vida cada vez mais curto. A durabilidade é substituída pelo efémero, pelo descartável, uma vez que a tendência assim o exige. Os consumidores recebem diversos estímulos, de diversas fontes. As "tentações" fazem com que a infidelidade seja a regra de consumo, pois o novo ganhou um maior poder de atracção.

Assim, tornou-se imprescindível tentar fidelizar o cliente. São cada vez mais as lojas/empresas que apostam em cartões de fidelização. Tudo é válido nesta "guerra" em que os vencedores são os que agem, os que procuram "antecipar as respostas às oportunidades emergentes".

Outro factor importante é o prazer. Este passou a ser uma exigência universal e constante. Os produtos mais apelativos são aqueles dos quais nós consumidores podemos retirar algum tipo de satisfação. Aqueles que nos proporcionam momentos de entretenimento, de divertimento, em suma, de puro prazer.

A interactividade é outro conceito que tem vindo a ganhar muita importância. Os jogos on-line, ou os concursos interactivos, são modas emergentes, porque são um incentivo à participação do indivíduo em tempo real, o que permite ao consumidor sentir o seu verdadeiro poder.


Com a ascensão das novas tecnologias, os conceitos de "tempo" e "espaço" ganharam uma outra dimensão. A Internet, por exemplo, veio esbater fronteiras, e oferecer uma maior mobilidade às populações. O fenónemo das comunicações móveis demonstra também esta realidade.

Hoje em dia, procura-se capacidade de adaptação e flexibilidade. A sabedoria já não é a preferência. E estas características encontram-se maioritariamente nos jovens. Estes têm também um outro "à vontade" para utilizar os meios digitais, o que, à partida, constitui uma mais-valia. No entanto, verifica-se um paradoxo, no sentido em que há uma "incompreensão das competências específicas da nova geração".


Quando observamos aquilo que se passa à nossa volta, é visível o grande valor que se foi atribuíndo à inteligência emocional, ao sentido prático, ou ao equilíbrio, que até há relativamente pouco tempo eram tidos como valores próprios apenas das mulheres. A diferenciação entre sexos é cada vez menor no que diz respeito aos níveis de educação, e a presença do sexo feminino em cargos de grande responsabilidade é cada vez mais notória.

Deste modo, parece estar nas nossas mãos dar bom uso aos recursos que temos ao nosso alcance para que este seja um mundo melhor. Devemos ser capazes de usar tudo o que temos ao nosso dispor o mais beneficamente possível.

Porque é que, se temos mais facilidade em comunicar, se temos meios que nos permitem suprir barreiras de tempo e de espaço, continuamos a viver sem tempo para as coisas que realmente interessam, continuamos a viver em stress? Não podemos permitir que a nossa vida seja comandada pela publicidade que nos conduz à crescente intenção de consumo desenfreado. Pelo comprar só por comprar.

Será que vivemos numa sociedade consumista, que se vai auto-destruíndo?
Eu quero acreditar que não... Mas, já agora, "vale a pena pensar nisto"!

Thursday, February 09, 2006

Sociologia da Cultura dos Meios Digitais e Interactivos

"Nesta Disciplina procurar-se-á proporcionar aos alunos uma reflexão sobre os impactos sociais da Revolução Digital, expressos em diversos campos da vida humana, individual e colectivamente considerada (...)"
A meu ver, esta frase resume bastante bem quais os objectivos desta Cadeira.
Quanto às minhas expectativas, esta será não só uma forma de aprofundar e consolidar os conhecimentos que já possuímos em relação às matérias em questão, como um meio de adquirir mais informação (e informação mais específica) acerca da realidade do século XXI, que é, de facto, a nossa.
De entre todos, o tema que desperta mais o meu interesse é o último: A Sociedade da Informação e do Conhecimento (SIC) na Criminalidade, talvez por ser aquele que nos é menos próximo. Enquanto que com os outros temas, como A SIC no Relacionamento Interpessoal, acabamos por ter um contacto mais directo, uma vez que são questões com as quais estamos mais familiarizados (como o telemóvel, a internet, etc), a criminalidade é uma realidade mais distante, que, apesar de ser muito mediatizada, acaba por não causar um grande impacto na sociedade, porque não afecta directamente o nosso quotidiano.
Assim sendo, ficarei à espera que estas expectativas se confirmem. E, entretanto, terão mais comentários disponíveis neste espaço ao longo do semestre, no que diz respeito aos temas propostos.
Até breve!